quinta-feira, 17 de março de 2011

MARIA CONCEIÇÃO LOPES VEIGAS



CONHECIDA POPULARMENTE POR MARIQUINHA, VELHA CURANDEIRA DE QUEBRANTO E DE MAU OLHADP, NA CIDADE DE ANGICOSRN

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

TÃO REMOTO QUANTO A ORIGEM DO HOMEM, OS RITUAIS SAGRADOS PAGÃOS DÃO CONTA DE UMA TRADIÇÃO MITOLÓGICA


CRATO - CE. O ritual se reveste de mistérios. Símbolos sagrados, rezas, rosários, sal, água benta, cordão e nomes de santos envolvem o solo sagrado da casa das rezadeiras. Nos remete às divindades protetoras de origem africana, indígena e européia. Imagens de santos espalhadas pelas paredes mostram o sincretismo religioso.

Mãos ágeis sustentam ramos verdes e pequenos. Traçam no ar cruzes sobre a cabeça do doente. Tecem um fio invisível, poderoso, unindo as dores dos homens, mazelas sem fim à magia do benzimento. Ramos murcham, absorvem o espírito da doença. As orações invocam a santíssima trindade, não permitem cruzar pés e mãos para não invalidar a oração.

O elo mítico poderoso funde-se a voz sussurrada da rezadeira. A cadeia simbólica e imagética presente no verbo invade o ambiente. O poder da cura configura-se. As sessões sagradas das benzedeiras ao raiar do sol ou ao crepúsculo, oferecem um quê de lealdade ao deus Tupã, para aplacar, quem sabe, as forças invisíveis da natureza aos moldes de Ossaim, o orixá que detém o poder purgativo das plantas.

Tão remoto quanto a origem do homem, os rituais sagrados pagãos, objetos de estudo, teses e pesquisas ao longo da era racionalista dão conta de uma tradição mitológica praticada nas tribos primitivas.

A despeito de serem as deusas fadas-mães guardiãs dos elementos femininos das manifestações do mundo sensível, da essência espiritual, retirando o humano dos limites factuais, a figura das rezadeiras funciona como um código conectivo que agrega toda a riqueza espiritual presente na vida de uma gente despida de bens materiais, mas que expressam em suas diversas manifestações religiosas procissões de símbolos sagrados para conter a fúria implacável dos males terrenos.

Teatralização do pensamento

De sorte que a palavra como um fio condutor impulsiona a produção histórica cultural e, como afirma Roland Barthes, a teatralização do pensamento.

Dona Helena, 73 anos, é a quarta filha de Maria de Rita, 103 anos. Fazia suas rezas só em crianças, mas de tanto os grandes insistir, quando percebeu já estava tomada pelas orações: “Pelo ramo verde será afastado sete maus, sete dores e sete mau olhado do corpo de fulano de tal”. A mãe de seu pai era índia.

Foi caçada a dente de cachorro nos idos da febre da borracha, no Rio Acre, por seu avô, homem destemido, outrora caçador na Chapada do Araripe. Já curou muito torcicolo. “Eu amarro um pano branco no tornozelo e outro no joelho. Vou costurando o pano com linha também branca. A agulha emenda por fora o que dentro está desemendado”. Na oração pra vento caído: “Dor abrando a tua ira e quebro as tuas forças. Assim como Judas vendeu Cristo que é Nosso Senhor Jesus, por esse mundo andou, olhado e vento caído Jesus curou”, diz, na reza.

Moradora numa vila de casas simples, entre o Rio Constantino e o Rio Miranda, este totalmente morto, no Crato, que dantes abrigavam em suas margens o povo Kariri, ela nos conta o caso de um anjo que passou por suas mãos curandeiras. “Não viveu porque aquele que é de Deus logo é chamado de volta pra Deus. Nasceu assim, menino e menina ao mesmo tempo”, recorda.

“Esse anjo lindo de cabelos pretos veio ao mundo há trinta anos e ainda hoje não me sai do pensamento, me recordo de seu olhar divino”. Dona Helena enfatiza: “O coração diz se a reza cura ou não”.

Sua avó materna, mãe de Maria de Rita, foi escrava de Quintino Macedo, dono de terras a perder de vista no Crato oitocentista. Por vezes sente um desejo sem igual de andar pelas matas. Vai para a casa da irmã Preta, também rezadeira, moradora da Mata Escura, um lugar impar com muitos pés de pau, no dizer de dona Helena. “Me faz lembrar que possuo sangue escravo e índio”.

O poder de cura já possuía e não sabia. Aos 20 anos casou, tendo seu primeiro filho. Um dia a criança amanheceu doente, era mau olhado. Botou a reza para curar, foi quando dona Maria de Ana, rezadeira, sogra da irmã Preta, viu e ensinou as rezas de cura, e até hoje com o ramo na mão para soltar o mau no vento continua a curar e a benzer quem na sua casa entrar necessitando. “Deus é pai de Jesus / Jesus é pai do divino Espírito Santo/ com o poder de Deus Pai, Deus Filho e Deus Espírito/ afasta todos os males desse corpo/ Amém”.

FONTE - DIÁRIO DO NORDESTE – FORTALEZA-CE - O MAIOR E MELHOR JORNAL DA REGIÃO NORDESTE

REZEDEIRA CEARENSE CURA À DISTÂNCIA USANDO FONTE

Todo mundo de Alto Santo, município do interior do Ceará, já bem próximo à fronteira com o Rio Grande do Norte, conhece a rezadeira Fransquinha Félix.

- Aqui em Alto Santo qual foi a mãe que nunca levou seu filho ou sua filha na casa da Dona Fransquinha Félix, para ela rezar de um quebrante, diarréia, vento caído ou qualquer que seja a doença? - pergunta Juliana Lima, moradora da cidade.

Anafabeta, aos 67anos Fransquinha Félix tornou-se cidadã ilustre não apenas na cidade, mas em todo o Ceará. Recentemente recebeu, da Secretaria Estadual de Cultura, o prêmio de Tesouro Vivo da Cultura, entregue a pessoas detentoras de saberes necessários para a produção e preservação da cultura tradicional popular.

D. Fransquinha não é cearense. Nasceu no estado vizinho, Rio Grande do Norte, no município de Umarizal, não muito distante de Alto Santo, onde reside há meio século.


D. Fransquinha agora é considerada
Tesouro Vivo da cultura cearense

Batizada de Francisca Galdino de Oliveira, ela garante que reza há mais de 60 anos: “aprendi a reza com minha madrinha Maria Catingueira, com cinco anos de idade”, diz.

- Os dono de fazenda vêm se valer de mim e eu rezo em cavalo, cachorro, gato, criação. As pessoas também vêm me buscar para rezar nos meninos. Tem dia que tem mais de 30 meninos pra eu rezar, tem dia que o alpendre fica cheio de gente, tanto adulto como criança, eu num tenho mais soma de quantas pessoa eu já rezei – afirma D. Fransquinha.

A rezadeira cura as pessoas sem cobrar nada. “A reza não é paga, a reza que Deus deixou no mundo não foi para ser paga, nem vendida”, argumenta. “Sinto prazer em rezar e ver aquela pessoa boa”.

D. Fransquinha, aliás, faz questão de sempre enfatizar a importância da fé. “Eu uso um galhinho de ramo verde e as palavras que rezo é palavras de Deus e nossa senhora”. E avisa: “Mãe que não tem fé, não venha me procurar que não tem cura!”.


Devota, a rezadeira alerta: "para curar, tem que ter fé".

Para aqueles que têm fé, entretanto, a rezadeira se garante:

- Ninguém que vem aqui na minha casa da uma viagem perdida. Houve criança e gente grande que não tinha cura no médico e veio aqui. Eu rezei e teve cura. Eu rezo em tudo, quebrante, vento caído, ferida braba… a pessoa vem “três vez”, se num ficar boa tem que vim “nove vez”. Aí fica curada, mas tem de ter muita fé – conta.

Para quem não pode ir até sua casa, no bairro Pão de Açúcar, no Centro da Cidade, Dona Fransquinha recomenda mandar uma foto ou peça de roupa. “Às vezes a pessoa fica doente mas tá longe aí manda uma foto ou uma blusa. Aí eu rezo a pessoa fica boa, mas num é eu que curo, é a fé da pessoa”, afirma.

O poder de cura de Dona Francisca é endossado pelos moradores de Alto Santo. Para Dona Maria Neta Oliveira, a reza de D. Fransquinha vem antes até do médico:

- Sempre que minha sobrinha fica doente, com vento caído ou quebrante, a primeira coisa que eu faço é correr lá para a casa da Dona Fransquinha Felix, antes mesmo de ir para o hospital procurar o médico. Aí ela reza três vez e, quando a gente menos espera, a criança já tá boa, já tá é se danando no meio da casa – diz Dona Maria, tia de Ylana.


Dona Maria leva a sobrinha Ylana para ver
D. Fransquinha antes de ir a qualquer médico

Assim como Dona Maria, muitas outras mães de Alto Santo depõe em favor da “mão santa” de Dona Fransquinha Felix.

Mas que ninguém leve o filho na casa de D. Fransquinha no meio-dia: “não rezo 12 hora do dia e nem da noite, porque ninguém num nasceu e nem morreu nessa hora. Os outro horário eu rezo, pode vir”.

FONTE - SITE TERRA MAGAZINE - BOB FERNANDES

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Marilia Jullyetth Bezerra das Chagas, natural de Apodi-RN, nascida a XXIX - XI - MXM, filha de José Maria das Chagas e de Maria Eliete Bezerra das Chagas, com dois irmãos: JOTAEMESHON WHAKYSHON e JOTA JÚNIOR. ja residi nas seguintes cidades: FELIPE GUERRA, ITAÚ, RODOLFO FERNANDES, GOVERNADOR DIX-SEPT ROSADO e atual na cidade de Apodi. Minha primeira escola foi a Creche Municipal de Rodolfo Fernandes, em 1985, posteriormente estudei em Governador Dix-sept Rosado, na no CAIC de Apodi, Escola Estadual Ferreira Pinto em Apodi, na Escola Municipal Lourdes Mota. Conclui o ensino Médio na Escola Estadual Professor Antonio Dantas, em Apodi. No dia 4 de abril comecei o Ensino Superior, no Campus da Universidade Fderal do Rio Grande do Norte, no Campus Central, no curso de Ciências Econômicas. Gosto de estudar e de escrever. Amo a minha querida terra Apodi, porém, existem muitas coisas erradas em nossa cidade, e parece-me que quase ninguém toma a iniciativa de coibir tais erros. Quem perde é a população.