quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

TÃO REMOTO QUANTO A ORIGEM DO HOMEM, OS RITUAIS SAGRADOS PAGÃOS DÃO CONTA DE UMA TRADIÇÃO MITOLÓGICA


CRATO - CE. O ritual se reveste de mistérios. Símbolos sagrados, rezas, rosários, sal, água benta, cordão e nomes de santos envolvem o solo sagrado da casa das rezadeiras. Nos remete às divindades protetoras de origem africana, indígena e européia. Imagens de santos espalhadas pelas paredes mostram o sincretismo religioso.

Mãos ágeis sustentam ramos verdes e pequenos. Traçam no ar cruzes sobre a cabeça do doente. Tecem um fio invisível, poderoso, unindo as dores dos homens, mazelas sem fim à magia do benzimento. Ramos murcham, absorvem o espírito da doença. As orações invocam a santíssima trindade, não permitem cruzar pés e mãos para não invalidar a oração.

O elo mítico poderoso funde-se a voz sussurrada da rezadeira. A cadeia simbólica e imagética presente no verbo invade o ambiente. O poder da cura configura-se. As sessões sagradas das benzedeiras ao raiar do sol ou ao crepúsculo, oferecem um quê de lealdade ao deus Tupã, para aplacar, quem sabe, as forças invisíveis da natureza aos moldes de Ossaim, o orixá que detém o poder purgativo das plantas.

Tão remoto quanto a origem do homem, os rituais sagrados pagãos, objetos de estudo, teses e pesquisas ao longo da era racionalista dão conta de uma tradição mitológica praticada nas tribos primitivas.

A despeito de serem as deusas fadas-mães guardiãs dos elementos femininos das manifestações do mundo sensível, da essência espiritual, retirando o humano dos limites factuais, a figura das rezadeiras funciona como um código conectivo que agrega toda a riqueza espiritual presente na vida de uma gente despida de bens materiais, mas que expressam em suas diversas manifestações religiosas procissões de símbolos sagrados para conter a fúria implacável dos males terrenos.

Teatralização do pensamento

De sorte que a palavra como um fio condutor impulsiona a produção histórica cultural e, como afirma Roland Barthes, a teatralização do pensamento.

Dona Helena, 73 anos, é a quarta filha de Maria de Rita, 103 anos. Fazia suas rezas só em crianças, mas de tanto os grandes insistir, quando percebeu já estava tomada pelas orações: “Pelo ramo verde será afastado sete maus, sete dores e sete mau olhado do corpo de fulano de tal”. A mãe de seu pai era índia.

Foi caçada a dente de cachorro nos idos da febre da borracha, no Rio Acre, por seu avô, homem destemido, outrora caçador na Chapada do Araripe. Já curou muito torcicolo. “Eu amarro um pano branco no tornozelo e outro no joelho. Vou costurando o pano com linha também branca. A agulha emenda por fora o que dentro está desemendado”. Na oração pra vento caído: “Dor abrando a tua ira e quebro as tuas forças. Assim como Judas vendeu Cristo que é Nosso Senhor Jesus, por esse mundo andou, olhado e vento caído Jesus curou”, diz, na reza.

Moradora numa vila de casas simples, entre o Rio Constantino e o Rio Miranda, este totalmente morto, no Crato, que dantes abrigavam em suas margens o povo Kariri, ela nos conta o caso de um anjo que passou por suas mãos curandeiras. “Não viveu porque aquele que é de Deus logo é chamado de volta pra Deus. Nasceu assim, menino e menina ao mesmo tempo”, recorda.

“Esse anjo lindo de cabelos pretos veio ao mundo há trinta anos e ainda hoje não me sai do pensamento, me recordo de seu olhar divino”. Dona Helena enfatiza: “O coração diz se a reza cura ou não”.

Sua avó materna, mãe de Maria de Rita, foi escrava de Quintino Macedo, dono de terras a perder de vista no Crato oitocentista. Por vezes sente um desejo sem igual de andar pelas matas. Vai para a casa da irmã Preta, também rezadeira, moradora da Mata Escura, um lugar impar com muitos pés de pau, no dizer de dona Helena. “Me faz lembrar que possuo sangue escravo e índio”.

O poder de cura já possuía e não sabia. Aos 20 anos casou, tendo seu primeiro filho. Um dia a criança amanheceu doente, era mau olhado. Botou a reza para curar, foi quando dona Maria de Ana, rezadeira, sogra da irmã Preta, viu e ensinou as rezas de cura, e até hoje com o ramo na mão para soltar o mau no vento continua a curar e a benzer quem na sua casa entrar necessitando. “Deus é pai de Jesus / Jesus é pai do divino Espírito Santo/ com o poder de Deus Pai, Deus Filho e Deus Espírito/ afasta todos os males desse corpo/ Amém”.

FONTE - DIÁRIO DO NORDESTE – FORTALEZA-CE - O MAIOR E MELHOR JORNAL DA REGIÃO NORDESTE

2 comentários:

  1. preciso de ajuda, para meu filho que esta nas drogas: Alexandre Aparecido rodrigues tirar a droga.É minha filha Patrícia pra bronquite,pra mim, ( Vanda aparecida Rodrigues),e para meu marido,( Dermeval Aparecido Rodrigues, bebidas ) meu filho luizcarlos Rodrigues bebidas, e impregno pra minha família.

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Marilia Jullyetth Bezerra das Chagas, natural de Apodi-RN, nascida a XXIX - XI - MXM, filha de José Maria das Chagas e de Maria Eliete Bezerra das Chagas, com dois irmãos: JOTAEMESHON WHAKYSHON e JOTA JÚNIOR. ja residi nas seguintes cidades: FELIPE GUERRA, ITAÚ, RODOLFO FERNANDES, GOVERNADOR DIX-SEPT ROSADO e atual na cidade de Apodi. Minha primeira escola foi a Creche Municipal de Rodolfo Fernandes, em 1985, posteriormente estudei em Governador Dix-sept Rosado, na no CAIC de Apodi, Escola Estadual Ferreira Pinto em Apodi, na Escola Municipal Lourdes Mota. Conclui o ensino Médio na Escola Estadual Professor Antonio Dantas, em Apodi. No dia 4 de abril comecei o Ensino Superior, no Campus da Universidade Fderal do Rio Grande do Norte, no Campus Central, no curso de Ciências Econômicas. Gosto de estudar e de escrever. Amo a minha querida terra Apodi, porém, existem muitas coisas erradas em nossa cidade, e parece-me que quase ninguém toma a iniciativa de coibir tais erros. Quem perde é a população.